Documentário destaca Júlia Medeiros, de Caicó

Em 2019 foi iniciado o projeto do documentário “A flor teimosa da algaroba” que destaca Júlia Medeiros, caicoense, jornalista, política, mulher que ousava na moda, nas suas escolhas que refletiam o desejo por mais emancipação feminina em sociedade, educadora e exímia oradora.

A equipe do documentário tem na Direção Ana Karla Farias e Fátima Cabral; na Produção Executiva, Dênia Cruz e Tobias Nevesilva; Diretor de Fotografia, Davi Revoredo e a Editora, Lupe.  A ideia de contar a história de Júlia Medeiros, surgiu quando a jornalista caicoense Ana Karla Farias passou a morar em Natal, cursando Pós-Graduação em Produção de Documentário na UFRN e compartilhou com amigos documentaristas, a vontade de falar sobre Júlia.

“O documentário “A flor teimosa da algaroba” é um sonho coletivo meu e dos meus amigos natalenses que compõem a equipe, em fazer jus ao nome e legado de Júlia Medeiros que foi uma das primeiras eleitoras do país, foi sufragista, lutando pelos direitos políticos das mulheres nos anos 20 e 30, integrou o Jornal das Moças numa época em que a imprensa era majoritariamente masculina e foi uma educadora que defendeu o modelo de educação apregoado por Pestalozzi, o pedagogo e teórico que aplicou o afeto nas salas de aula, ” explica Ana Karla Farias.

O projeto do documentário começou em Caicó em 2019, quando a equipe esteve no Sítio Umari, onde Júlia nasceu, conhecendo lugares que fizeram parte da sua trajetória, conversando com historiadores, ex-alunos, ex-vizinhos, entre outros personagens.

Inicialmente a ideia era realizar um curta mas o projeto foi contemplado pelo edital da Lei Aldir Blanc, na modalidade Pesquisa e Desenvolvimento de Roteiro, para longa metragem, no cadastro de reserva. Então, permanece na etapa de pesquisa e desenvolvimento do roteiro do longa, e existe a expectativa de que até junho, seja concluído um curta.

A jornalista Ana Karla destaca que a importância deste documentário também é de desconstruir estereótipos. “Como ocorreu a todas as mulheres pioneiras que ousaram quebrar estereótipos, o patriarcado apagou a memória e história dessas mulheres que se tornaram invisibilizadas e receberam os rótulos de louca, má, entre outros estigmas que tentam deslegitimar o legado dessas mulheres. Assim, testemunhamos a história potente e revolucionária de Júlia Medeiros ser reduzida ao estigma de Rocas-Quintas, apelido pejorativo que ela ganhou ao ir morar em Natal, já idosa e com a saúde debilitada, sendo tachada de louca e andarilha ou mendiga. Por isso, a necessidade do documentário em contar a narrativa de Júlia Medeiros, desconstruindo os estereótipos e trazendo à tona a vida de uma mulher que, por muitos anos, ficou nas entrelinhas da história”, explica a jornalista, que atua na Direção de “A flor teimosa da algaroba”

Fotos: Davi Revoredo