Catarina Calungueira pesquisa Bonecaria no Seridó

No município de Ipueira, RN, a educadora e bonequeira Catarina Medeiros, conhecida como Catarina Calungueira, é uma jovem que se descobriu na arte de ser bonequeira e hoje desenvolve ampla pesquisa sobre o fazer e o brincar com bonecas feitas à mão.

No universo da bonecaria, Catarina já lançou revista catálogo sobre brincantes do Seridó em 2019, ministrou oficinas de bonecos na Paraíba e em Brasília, e idealizou neste mês de fevereiro, o 1º Festival de Mulheres Bonequeiras do RN. Atualmente ela desenvolve pesquisa sobre bonecaria e está em evidência seu curta metragem “Ipueira também é terra de bonequeiras” que concorre a premiação no 1º Curta Ipueira.

Devido a pandemia, o Festival de Bonequeiras aconteceu de forma virtual, transmitido pelo youtube, com programação de espetáculos, bate papo entre as mulheres bonequeiras e muita informação compartilhada. O evento contou com apoio da Lei Aldir Blanc e teve participação de bonequeiras potiguares de Ipueira, Caicó, Mossoró, Tibau do Sul e Cerro Corá.

No Curta Ipueira, que iniciou votação nesta terça-feira, dia 16, em página do facebook, o vídeo produzido por Catarina Calungueira concorre a premiação e traz bonequeiras de Ipueira com suas memórias, suas bonecas, suas origens. “São origens que remetem ao zelo, cuidado, presença e comunicação. As bonecas são porta vozes das mulheres. Elas dizem o que pensamos no teatro popular. A gente precisa brincar, porque é na brincadeira que a gente constrói e reconstrói o que quer ser”, diz Catarina

No seu curta destacam-se Maria de Fátima, Maria das Graças e Carmem Leda, todas ipueirenses, cada uma com sua história no fazer bonecas, de palha, de tecido e até de sacola plástica. Algumas aprenderam a fazer já na juventude, motivadas pela curiosidade, e outras aprenderam ainda crianças, pela necessidade de ter uma boneca e não ter condição de comprar.

Entre os relatos, Carmem Leda relata que aprendeu a fazer boneca ainda na infância com “Mãe Olíria”, parteira e bonequeira, também de Ipueira, que fazia bonecas de tecido, com movimento nas articulações dos braços e pernas. Com ela, a menina Carmem Leda despertou para fazer bonecas, reutilizando retalhos e até usando fiapos para ser linha de costura.

A pesquisa de Catarina Calungueira persiste com foco em documentário que pretende reunir informações históricas, vivências e particularidades de cada tipo de boneca, no seu fazer.

“Nessa descoberta do ser bonequeira, acabei me interessando em fazer as bonecas de tecido. Quero buscar mais, aprender mais. São muitas as informações que adquirimos com a pesquisa. Hoje sei que as bruxinhas são diferentes das bonecas, tem características diferentes, como a cabeça ser redonda, o corpo ter molejo. Também há histórias que relacionam a bonecaria com a sorte e a cura”, destaca Catarina Calungueira.

Conforme Catarina Calungueira a primeira história registrada sobre o fazer manual de bonecos, é o relato de Manoel Cabedelo, brincante paraibano, contado para Altemar Pimentel, mestre de registros da cultura, afirmando que o “João Redondo”, surgiu quando uma mulher preta, baiana, escravizada, fez bichos e gente de madeira, sendo que deu o nome do patrão João Redondo, para um dos bonecos. O patrão teria gostado da brincadeira e assim surgiu o fazer e o brincar de bonecos.

Foto: acervo pessoal de Catarina Medeiros