Hotel Reis Magos: ou tomba ou tomba

As gerações mais recentes não lembram, mas ele já foi o que de mais moderno Natal poderia ter em termos de hotel: O Hotel Internacional Reis Magos foi projetado por uma equipe de arquitetos pernambucanos: Waldecy Pinto, Antônio Didier e Renato Torres. Era o hotel de luxo em Natal entre os anos de 1965 e 1995, trinta anos, quando foi desativado.

Toda a estrutura contava com 63 apartamentos, uma suíte presidencial, recepção, salões nobres, elevadores, parque aquático, sauna, playground, restaurante, estacionamento com aproximadamente 50 vagas, salão de beleza, áreas de lazer, lojas de artesanato e serviço médico.

O imóvel foi comprado anos atrás pelo grupo Hotéis Pernambuco S/A, que anunciou, em 2013, que faria a demolição do prédio para a construção de um empreendimento comercial. A informação gerou protestos de estudantes de arquitetura e acabou resultando nas ações judiciais.

Na avaliação a defesa da empresa, mesmo com um possível tombado, laudos de engenharia anexados ao processo comprovam que a estrutura do prédio não suportaria uma restauração.

O Tribunal Regional Federal (TRF) da 5ª Região, em Recife, autorizou a demolição do prédio onde funcionou o Hotel Reis Magos, na Praia do Meio em Natal. Na Justiça, o Estado do Rio Grande do Norte buscava o tombamento do imóvel, que está abandonado há 24 anos.

A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, a Fecomércio, emitiu nota favorável à demolição do antigo Hotel Reis Magos. Para Câmara Empresarial do Turismo da entidade, “o uso e destino do equipamento deve ser definido pelo grupo empresarial que o adquiriu”.

Relator do processo que analisa o pedido de tombamento do antigo Hotel Reis Magos no Conselho Estadual de Cultura, o advogado e professor Diógenes da Cunha Lima é enfático ao afirmar sua posição contrária à restauração do equipamento. “Ninguém pode negar a importância que o Hotel dos Reis Magos teve no passado. Teve! Todavia, o local está fechado há 20 anos e não está funcionando porque a economia mudou. Era prejudicial para a empresa (sua proprietária) explorá-lo. Então, ficaram ruínas. Hoje, os alicerces estão em ruínas, com mostras de ferro enferrujados e com perigo para as pessoas que de lá se aproximam, porque pode ruir”, explica ele.

O prédio encontra-se em ruínas na orla da Praia do Meio, em Natal, já que os donos da propriedade, o grupo Hoteis Pernambuco S/A, não podem derrubá-lo ou construir outro empreendimento no local, devido um processo de tombamento em curso no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).