Grupo de pesquisa da UFRN realiza estudo que pode diagnosticar a pré-eclâmpsia precocemente

A gravidez é uma fase que inspira uma série de cuidados especiais com a saúde da mulher e da criança que está sendo gerada. Durante esse período muitas doenças podem acometer na gestante e causar graves consequências. No mundo inteiro, uma das enfermidades que mais atinge as mulheres grávidas é a pré-eclâmpsia que, em manifestações mais graves, pode até mesmo levar a mãe e bebê a óbito.

Essa doença promove o aumento da pressão arterial da mãe e, em casos específicos, pode evoluir para a eclâmpsia, uma forma mais grave da doença e que pode causar convulsões, sangramentos vaginais e coma. Nesse contexto é muito importante entender bem como funciona esse distúrbio, como tratá-lo e também como identificá-lo.

Uma equipe ligada ao Grupo de Pesquisa em Doenças Metabólicas (GPDM), do Departamento de Análises Clínicas e Toxicológicas está envolvido em um trabalho que, tem como principal objetivo promover um diagnóstico precoce e preciso da pré-eclâmpsia por meio de biomarcadores urinários. A pesquisa, intitulada Avaliação da Associação da Vitamina D com o Desenvolvimento da Pré-Eclâmpsia e de Proteínas dos Exossomais Urinárias como Marcadores Precoces da Doença é orientada pela professora Marcela Ururahy, vinculada ao Departamento de Análises Clínicas e Toxicológicas da UFRN e coordenadora do GPDM.

Ela diz que um dos motivos que levaram ao estudo é o fato de que “a pré-eclâmpsia é uma doença grave e uma das que mais acomete em gestantes em todo o mundo. Ela pode surgir com graves complicações, incluindo o óbito, tanto na mãe quanto no feto”. Isso associado a alguns textos científicos, que já existem sobre o tema e promover o desenvolvimento do trabalho do GPDM.

A pesquisa começou em março de 2017 e conta com a participação de estudantes do Programa de Pós-Graduação em Ciências Farmacêuticas (PPgCF) da UFRN, alunos do próprio GPDM, professores do Departamento de Farmácia (DFAR) e do Departamento de Análises Clínicas e Toxicológicas (DACT), além de profissionais ligados ao laboratório e à Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) da Maternidade Escola Januário Cicco (MEJC).

A pesquisa
Na prática, nos dias atuais, já existem mecanismos que ajudam a identificar a pré-eclâmpsia, como explica a professora Marcela: “o diagnóstico da doença se dá, principalmente, por características clínicas, sendo comum ainda, observar a presença de grande quantidade de proteínas totais na urina das gestantes doentes”. No entanto, o estudo do GPDM utiliza uma metodologia inovadora, que envolve a pesquisa de algumas proteínas localizadas em estruturas, que podem ser consideradas como minicélulas e que são eliminadas na urina.

“Acreditamos que a pesquisa de proteínas específicas (marcadoras de podócitos – células renais, que estão diretamente relacionadas com o processo de filtração renal) obtidas por meio de uma metodologia inovadora [presentes em vesículas extracelulares isoladas na urina], poderia levar à descoberta de biomarcadores da pré-eclâmpsia”, como explica a professora. A descoberta desses biomarcadores pode ser útil para o diagnóstico precoce da doença.

A pesquisadora Marcela acredita que até julho de 2019, o projeto estará concluído. Enquanto isso, a equipe envolvida no trabalho continua com as atividades. Apesar do estudo ainda está sendo realizado alguns resultados parciais importantes já foram observados.

“Até o momento nós podemos perceber um aumento na expressão dessas proteínas nas gestantes com pré-eclâmpsia, que têm suas amostras coletadas quando elas estão internadas aqui na UTI materna da MEJC. Essas expressões estão aumentadas quando comparadas com as de gestantes que não têm alterações na pressão arterial. Isso sugere que essas proteínas podem vir a ser biomarcadores precoces da pré-eclâmpsia em um futuro próximo”, finaliza Marcela Ururahy.