Caicó tem primeiro caso de gato com raiva no município: adoção responsável e o não abandono de animais são ferramentas essenciais para a saúde de todos

Na manhã desta quinta-feira, o veterinário Dr Gustavo Solano, do Centro de Zoonoses de Caicó e o Prof. Jackson Santos, Sub coordenador de Vigilância Sanitária e Epidemiológica, confirmaram em entrevista na Rádio Rural de Caicó, o registro de primeiro caso de felino com raiva, no Município de Caicó.

Neste mês de março, um gato de cinco meses, adotado, foi levado a uma clínica veterinária por suspeita de lesão na pata. Ao retornar, o animal apresentou outros sintomas, sem defecar nem urinar, e demonstrando agressividade.

O gato foi levado a outra clínica veterinária, onde houve a suspeita de raiva e o felino chegou a agredir o veterinário. No dia seguinte, o animal faleceu e houve encaminhamento para laboratório de referência em Natal, que identificou resultado positivo para raiva.

A partir do resultado, o Centro de Zoonoses entrou em contato com as pessoas que tiveram contato com o animal, em casa e nas clínicas, para procedimentos de profilaxia.

“Recebemos resultado dia 18 de março. De imediato prosseguimos com investigação das pessoas que tiveram contato com esse animal, que foram 8, ou com mordida, arranhados ou saliva. Foram todos encaminhados ao Hospital Regional para proceder com soro antirrábico e vacina. Todas as pessoas estão bem”  relata Dr Gustavo Solano, veterinário do Centro de Zoonoses.

Conforme o veterinário, há suspeita de que o gato tenha adquirido a raiva através de morcego, porque somente neste ano de 2021, Caicó teve confirmação de três morcegos positivos para raiva, sendo um na zona rural, outro no bairro Vila do Príncipe e o terceiro no bairro Paraíba.

Além do encaminhamento das pessoas ao Hospital Regional, o Centro de Zoonoses também realiza bloqueio nas proximidades da residência do gato, na rua Joel Damasceno, centro, para fazer vacinação em animais, como forma de prevenção.

“Hoje mesmo estamos fazendo o bloqueio de foco que consiste em torno de mais de 300 metros.  Faz o quarteirão positivo, e os quarteirões vizinhos, adjacentes, vacinando como reforço, cães e gatos. Serve também de investigação, avaliando se foi visto morcego, se tem animal suspeito. Mesmo os vacinados, no dia D de campanha há reforço” explica Dr Gustavo.

O veterinário orienta que qualquer animal suspeito de raiva, havendo qualquer tipo de agressão que seja, lavar com água e sabão imediatamente, e procurar atendimento médico, para que seja prescrito a medicação.

Em relação a adoção, a orientação é que adote e a partir de 3 meses, faça a vacina antirrábica no animal, seja cão ou gato. Se por algum motivo, não conseguir vacinar, indo no Centro de Zoonoses, há liberação da vacina para que um profissional faça a vacina.

“Nós sempre realizamos o Dia D de vacinação antirrábica, conforme as datas de campanha estadual e nacional. Mas dispomos o ano todo de vacina. A vacina é a única forma de prevenção. E a raiva é uma doença grave, que inclusive só há relatos 5 casos de cura em humanos, sendo que no Brasil, o caso de cura em Pernambuco, deixou o paciente com paralisia” alerta De Gustavo.

Outro alerta feito pelo médico veterinário é de que as pessoas fiquem atentas aos morcegos. Se um morcego for encontrado na casa, e se alguém apresentar algum ferimento, lavar com água e sabão e buscar atendimento médico, para evitar que o vírus se manifeste.

O Professor Jackson, Sub coordenador de Vigilância Sanitária e Epidemiológica, informa que planeja, junto a equipe, realizar nota pública científica, por este ser o primeiro caso de felino com raiva no Município de Caicó e a partir disso, montar  estratégias futuras de educação e saúde em massa, usando rede social e outros meios de comunicação, como rádio, para alcance da população.

Ele frisou que defende uma campanha contra o abandono de animais. “Defendo uma grande campanha em massa contra o abandono animal. Os animais devem ser amparados de alguma forma. Quando um animal é abandonado, contribui para haver aumento de animais nas ruas. Adoção responsável, vacinação e castração são ferramentas fundamentais. Defendemos a Saúde Única, do meio ambiente, dos animais e dos humanos”, disse Jackson Santos

Ele também alertou para casos de mudança de comportamento no animal. ” Se o animal, cão ou gato, está debilitado e demonstra agressividade, não mexa tanto no animal, e busque atendimento com veterinário”, afirmou.

Outra orientação do Centro de Zoonoses é sobre a alimentação de animais de rua. É indicado que tenha atenção e cuidado no contato com animais, e havendo qualquer agressão do animal, procurar médico.

Foto ilustrativa